Chegou a Hora?

 

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Universidade do Porto já apresentou o seu estudo e apontou o caminho: uma área de paisagem protegida a ser gerida pela CM Vila do Conde. Agora só falta entregar o pedido de classificação.

câmara municipal está a empatar o processo

 

Foi criado, no passado dia 21 de Janeiro de 2005, um grupo de trabalho para definir a melhor forma de  "actualizar" o estatuto da Reserva Ornitológica de Mindelo e proceder à sua requalificação.

A convite da Câmara Municipal de Vila do Conde, o grupo integra representantes da própria CMVC (Mário de Almeida, Saraiva Dias, Luis Oliveira), Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Norte (Guedes Marques), Instituto de Conservação da Natureza (Carlos Ângelo), Junta de Freguesia de Mindelo (Joaquim  Cardoso), Junta de Freguesia de Árvore (Carlos da Silva Quintans), Movimento PROMindelo / Associação dos Amigos do Mindelo para a Defesa do Ambiente (Pedro Macedo) e Universidade do Porto (Nuno Ferrand, Paulo Célio).

Em reunião do dia 17 de Março de 2005 foi apresentada e discutida a proposta do CIBIO para "Elaboração de um Plano Estratégico com vista ao Ordenamento e Gestão da Reserva Ornitológica de Mindelo (Vila do Conde)". A proposta foi aprovada por unanimidade, assumindo a Câmara Municipal a responsabilidade do financiamento do estudo.

O estudo envolve duas fases:

“1ª fase - Diagnóstico: Levantamentos de base (estudos prévios), com situação de referência e identificação de potencialidades e ameaças relativamente aos seguintes descritores: i) Geologia e Dinâmica Costeira, ii) Agricultura e Floresta, iii) Qualidade Ambiental, iv) Património Biológico, v) Paisagem, e vi) Instrumentos de Ordenamento do Território e Iniciativas Não-Governamentais; inclui também uma avaliação dos possíveis cenários de classificação e linhas orientadoras gerais para o ordenamento e gestão da área.”

“2ª fase - Plano Estratégico: Memória descritiva e peças cartográficas respeitantes ao zonamento e ao plano de gestão da área que vier a ser classificada.”

 

UP defende a criação de uma Área de Paisagem Protegida

O relatório correspondente à 1ª fase foi apresentado pela Universidade do Porto na reunião de 4 de Agosto de 2005. O estudo contou com o envolvimento de 22 especialistas em diferentes áreas.

No essencial identificou a presença de uma “considerável diversidade de habitates naturais, três dos quais considerados prioritários para conservação por directivas Comunitárias”, bem como a “presença de uma surpreendente diversidade florística, com cerca de meio milhar de espécies confirmadas, merecendo referência particular a presença de dois endemismos exclusivos do litoral norte de Portugal e de diversos táxones com estatutos nacionais e internacionais de protecção”, atribuindo à área um “inegável valor ecológico no contexto do Grande Porto e do Noroeste de Portugal.”

Em termos de avifauna, “em apenas algumas saídas de campo realizadas especificamente para este trabalho, entre Abril e Maio, foram detectadas 47 espécies.” “Entre 1990 e a actualidade, foi confirmada a ocorrência de 81 espécies, das quais 16 não constam da lista de aves registadas entre 1953 e 1984 (127 espécies no total).” Cerca de 70% das espécies está abrangida por convenções internacionais, em especial as aves migradoras.

Foi ainda assinalada a “diversidade extraordinária” em termos de anfíbios, já que 82% do número total de espécies de anfíbios presentes em Portugal estão representados na área de estudo. Foram ainda identificadas 10 espécies de répteis, 14 de mamíferos e 347 de invertebrados.

É ainda referido o “assinalável potencial científico e demonstrativo, relacionado com as características intrínsecas da área e com a proximidade geográfica a vários pólos de ensino superior e investigação científica”; a “aptidão da área de estudo para a criação de áreas de recreio e lazer de distinção, com uma posição central dentro de uma área metropolitana e com grande acessibilidade”; e “um notável património de prática de educação ambiental e participação das populações”.

 

Em termos de protecção defende-se a “criação de uma Área de Paisagem Protegida”.

 

O estudo relembra que a sua classificação depende da apresentação pelas autarquias locais ao Instituto de Conservação da Natureza de um pedido nesse sentido.

Defende-se ainda que “a gestão da futura Área de Paisagem Protegida seja assegurada pela administração local (em concreto, pela Câmara Municipal de Vila do Conde), em articulação com a administração central (representada pelo Instituto da Conservação da Natureza e pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte) e com a Universidade do Porto.”

O estudo inclui os elementos necessários ao pedido de classificação, nomeadamente uma nova proposta de delimitação.

A nova classificação para a ROM e integração na rede nacional de áreas protegidas de pleno direito é um passo fundamental para se dar início à sua recuperação ambiental, que envolverá ainda a criação de um centro de educação ambiental, eventual museu de ornitologia, trilhos pedestres e outros equipamentos para apoiar os visitantes.

A Associação dos Amigos do Mindelo enviou o seu parecer ao estudo. Julga-se que o fundamental agora é concretizar de imediato e sem mais demoras a sugestão do Estudo Prévio, nomeadamente a apresentação de “proposta, ao ICN, de criação de uma área de Paisagem Protegida”. Neste momento qualquer adiamento será altamente prejudicial, dada a expectativa criada junto das populações. As recentes agressões ambientais são fruto do clima de indefinição instalado.

Só com a classificação será possível encontrar as formas de envolver os proprietários dos terrenos no esforço de valorização da área, compensando-os pela disponibilização da sua propriedade para um fim de interesse público.

É ainda proposta a realização conjunta pelo Grupo de Trabalho de uma acção de divulgação pública do trabalho em curso, que permita apresentar as conclusões do Estudo Prévio e discutir com os interessados as implicações do mesmo.

Foi anunciada pela Câmara Municipal uma reunião do Grupo de Trabalho para Setembro de 2005 para discutir os próximos passos. Aguarda-se até hoje a sua marcação.

Entretanto a Universidade do Porto avançou com a realização do Plano Estratégico (2.ª fase), apesar de não haver o esperado pedido de classificação por parte da Câmara. Este Plano foi entregue à Câmara Municipal em Julho de 2006, incluindo já a proposta de Decreto Regulamentar tendo em vista a criação de uma Paisagem Protegida.

Está para breve?

 

Condições reunidas

Consideramos que estão reunidas as condições necessárias para que finalmente avance a classificação da Reserva Ornitológica de Mindelo como Área de Paisagem Protegida, possibilitando a sua recuperação urgente e a criação de um verdadeiro espaço de conservação da natureza, educação ambiental, lazer e ecoturismo, naquela que é a última área natural do litoral do Grande Porto.

Isto porque:

1. O Partido Socialista votou favoravelmente em Outubro de 2003, na Assembleia da República, dois projectos-lei para Criação da Área Protegida da Reserva Ornitológica do Mindelo. Na altura os deputados do PS defenderam que a ROM constitui "a mais importante reserva natural da Área Metropolitana do Porto; hoje, é mesmo a única. A sua degradação avança a grande velocidade todos os dias. É, pois, urgente uma intervenção para conter esta degradação, a sua total destruição, para que não fique aos apetites dos interesses imobiliários."

O deputado de Vila do Conde, Lúcio Ferreira, garantiu antes das eleições que "as questões que se prendem com a ROM e com a sua classificação com o estatuto de área protegida merecem atenção especial no programa eleitoral do nosso partido".

O Partido Socialista tem agora maioria absoluta no Parlamento.

2. Os partidos da actual oposição (BE, CDS-PP, PCP e PSD) já têm defendido publicamente a ROM e apresentado várias iniciativas no sentido de a defender, quer na assembleia da república, quer na assembleia municipal.

3. O Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional, Francisco Nunes Correia, em visita a Vila do Conde, demonstrou o seu apoio à classificação da ROM e a disponibilidade para apoiar a Câmara neste processo.

4. Existe um claro e esmagador apoio popular a esta iniciativa.

5. O Instituto de Conservação da Natureza na reunião do Grupo de Trabalho referiu que bastaria uma proposta por parte da Câmara Municipal com a nova delimitação, para que fosse aprovada a área de paisagem protegida, “já na próxima semana se necessário”.

6. A Universidade do Porto já realizou os estudos necessários e concluiu que o que há a fazer é apresentar ao ICN um pedido de classificação de área de paisagem protegida; a UP está empenhada em colaborar na gestão futura da área.

7. Existem apoios comunitários para financiar projectos em áreas protegidas.

 

Mas afinal de quem é a responsabilidade de avançar?

De acordo com a lei de criação de áreas protegidas (Decreto-Lei n.º 19/93) a competência da criação de áreas de paisagem protegida pertence às autarquias locais, devendo estas apresentar uma proposta ao ICN (Instituto de Conservação da Natureza).

 

Em síntese: basta agora que a Câmara Municipal de Vila do Conde apresente ao ICN o pedido de classificação de área de paisagem protegida.

Chegou a hora!